MANCHETE: Corpo de puta qualquer é encontrado esquartejado numa esquina qualquer

Cada corpo que deixa minha cama leva um pedaço meu dentro do peito ou dentro das calças. Nenhum nome sai desse colchão sem carregar uma letra do alfabeto infinito em meu cadáver. E são tantos nomes, querido. Já me entreguei tanto e de mim mesma quase não resta nada. O pouco que sobrou estou mendigando pra ter o que lhe entregar. Eles chegam e involuntariamente arranco de mim a miséria que tenho pra oferecer. Já me tomaram do coração às tripas e ainda ousam voltar pra buscar um pouco da carcaça que ficou. Duzentos e seis osso e a alma: foi o que restara. Distribuo o esqueleto na ânsia de que entre por aquela porta á tempo e encontre a minha-sua alma inviolada. Se apresse, my dear.

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